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Roseani Novo: A tradução de uma paixão

Roseani Nôvo, olhos grandes, sorriso maior ainda e um amor infinito pelo Garantido, expresso nas roupas, assessórios, presença em festas e atitudes. Assim pode ser definida Roseani Novo, uma das famosas “comadres do boi”, mãe da ex-sinhá Tame Novo e uma torcedora símbolo do bumbá da Baixa.

Roseani Aliverti Nôvo é parintinense, filha de João Ferreira Nôvo Filho e Irene Aliverti Nôvo. Trazida ao mundo pelas abençoadas mãos de Nêga Parteira, “Rosi” como é carinhosamente chamada é Mãe de Tame, João Carlos e João Neto, viúva de Ciloni Filgueiras da Rocha, avó de Maria Clara, Rosane e Maria

Ao conversar com ela, sentimos um misto de alegria e nostalgia de um tempo que não vivemos, mas que está presente em suas memórias. O amor pelo boi brinquedo, nasceu cedo quase que por acaso. Por volta dos 3 anos, a mãe de Roseani, Dona Irene (uma das precursoras das comadres) a deixou na frente de casa, enquanto foi arrumar outra irmã. Ao voltar, a menina tinha sumido. Após horas de procura, e todos já sem esperanças de encontrar a criança, um motorista deu a ideia de ir à Baixa do São José,  onde acontecia uma festa do boi Garantido.

Quando chegaram lá, a pequena Roseani estava feliz da vida no colo de um brincante. “Eu segui o homem que passou para ir à festa. Desde então, todos os anos me aprontavam e levavam para Baixa”, sorri, ao lembrar da primeira travessura pelo Garantido, completando que esse amor é passado de geração à geração.

E as “loucuras” continuaram. Num período em que o Garantido tinha recursos escassos, as amizades de Roseani foram primordiais para ajudá-lo. Ao passar a morar em Manaus começou a ajudar o boi pedindo tudo de todos. Pedia tintas, isopor, papelão e tudo que pudesse para mandar à Parintins. “Uma vez o material chegou praticamente no dia do festival. A presidente Aimê Faria se jogou de cabeça na caixa comemorando”, lembra.

Loucura das boas Roseani aprontou no ano em que o contrário apresentou-se primeiro e não retirou as alegorias da concentração, prejudicando a apresentação do Garantido, que só pôde utilizar um dos portões, pois o outro estava bloqueado. No dia seguinte, o Garantido veio primeiro e quando terminou a apresentação, Roseani vingou-se. Lacrou o portão com uma corrente bem grossa e um cadeado gigante. Sumiu com a chave e a confusão começou. Juiz de direito e autoridades diversas tentaram obrigá-la a entregar a chave. Tiveram que se apresentar utilizando apenas um portão. “Quem com ferro fere… “, ironizava as gargalhadas.

Quando fala de seu trabalho no Garantido, Roseani afirma que não faz sentido não destacar os nomes de todas as comadres:  Mariangela Faria, Graça Faria, Sol e Esther Cohen, Dirce Cansancão, Lady Maia, Irineusa, Maria do Carmo, a Lanchinha, Dona Lina, Aldiva Perrone, Maria Célia Rolim Valente, Aimé Faria, Sônia Teixeira, Dilma Rego, Marlene Nomyama.

Também faz questão de exaltar o trabalho de Jair Mendes que, com o apoio das famílias Faria e Kimura, transformou sonhos e lendas no mais lindo Festival Folclórico do país. A família Faria, segundo ela, requer um  capítulo especial. Ora como colaboradores, ora diretores, ora presidentes sempre impulsionando a festa. “Paulinho Faria é a parte mais conhecida de um grande e lindo coração vermelho”, exalta.

Sobre composições,  ressalta Emerson Maia como o maior compositor do Garantido. Segundo Roseani, muitos a alegram, mas o “Leão” a emociona e mexe no fundo da alma. “Todos passam, ele não”, revela. Porém, não esquece de citar Chico da Silva, como o único que canta o boi que está dentro da arena, diferente dos outros que sempre o vêem fora dela. “Ele é um visionário”, reitera. Tadeu Garcia e Mencius Melo, de acordo com ela, tem as rimas mais ricas do festival.

Apesar de inúmeros momentos de emoção, vividos na arena do bumbóromo, Roseani exalta o dia em que o Balão de gás entrou na arena. “O Garantido sempre surpreende. Tanto a nossa galera quanto o contrário”, avalia. Por falar em contrário, ela se orgulha de nunca ter visto uma apresentação do outro bumbá. “Nunca vi e nem quero. Não faz parte da minha vida. Só fico esperando de madrugada, as pessoas me contarem quem foi o melhor. Fico muito nervosa, mas não vejo mesmo”, sentencia.

Roseani reclama que algumas pessoas ficam dizendo que “ela já está velha para esse negócio de boi”. “Me disseram que está na hora de parar. Não me vejo parando de ir às festas do Garantido. Serei uma segunda *cuchachata, que bem velinha e enrugada estava sempre feliz com as palminhas dela na Batucada”,confirma.

Roseani resume que o vermelho é a cor da sua bandeira, que a Baixa do São José é a inspiração de tudo e Lindolfo foi único.

Texto:Chris Reis (Assessoria de Imprensa)

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Sobre o Autor : Garantido


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