Menu

Ministério da Cultura, Ministério do Turismo, Governo do Estado do Amazonas e Boi Garantido apresentam:

Integrante da Comissão de Artes do Garantido mostra porque criticar as falas regionais de Isabelle é puro preconceito

Professora de Linguística, Hellen Picanço, diz que não existem formas “certas” ou “erradas” de falar

Integrante da Comissão de Artes do Garantido mostra porque criticar as falas regionais de Isabelle é puro preconceito Notícia do dia 17/01/2024

A professora doutora Hellen Cristina Picanço Simas, linguista e docente da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), em Parintins, divulgou, na última terça-feira (16), um artigo no qual define como preconceituosa a forma com que algumas pessoas comentaram as expressões faladas pela cunhã-poranga do Garantido, Isabelle Nogueira, no programa Big Brother Brasil, da Rede Globo de Televisão. A professora é integrante da Comissão de Artes do Boi Garantido, formada pela atual gestão do boi, sob comando de Fred Góes e Marialvo Brandão.

 

Segundo a professora que, entre outros títulos, tem Pós-doutorado em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal Fluminense (2018), Pós-doutorado em Letras pela Universidade do Norte de Tocantins (2022) e é líder do Núcleo de Estudos de Linguagens da Amazônia (Nel-Amazônia/CNPq), a fala do amazonense é vista por alguns brasileiros com preconceito devido a estereótipos e juízos de valor negativos associados a essa variante linguística.

O preconceito linguístico ocorre quando as pessoas fazem uma classificação convencional do que é certo e errado na língua, associando a situação social do falante à variante que ele utiliza. No caso da fala amazonense, há um estereótipo de que as pessoas do Norte são selvagens, vivem no mato e não têm acesso às tecnologias, o que leva a uma associação negativa com a variante linguística .

 

Hellen Picanço explica também que não existe forma certa ou forma correta de se falar, mas sim formas diferentes e variadas, ressaltando ainda a influência das línguas indígenas na formação do nosso idioma. “A variação linguística regional falada pelo povo do Norte, especificamente no Amazonas foi construída a partir do contato linguístico com a línguas indígenas da região. Tanto a língua portuguesa sofreu e sofre influência das línguas indígenas quanto as línguas indígenas receberam e ainda recebem a interferência do português”, afirma.

 

O artigo afirma, também que esses preconceitos são injustos, pois todas as variantes linguísticas faladas no Brasil permitem a comunicação e são igualmente válidas. O preconceito linguístico se manifesta quando as pessoas associam a forma de falar de alguém a características negativas, como inteligência ou status social, o que é um equívoco .

 

A articulista diz, ainda, que é importante combater esses preconceitos e valorizar a diversidade linguística do nosso país, reconhecendo que todas as variantes linguísticas têm valor e merecem respeito. “Devemos nos orgulhar da forma como falamos o português, porque as expressões como olha já, purrudo, pávulo dentre outras são únicas e traduzem o jeito amazonense de se relacionar com as pessoas e com tudo que lhe cerca. Não se pode traduzir com a mesma exatidão os sentimentos nestas palavras registrados para outras expressões de outro dialeto. Elas são únicas e fazem parte da identidade do povo do Amazonas”, afirma a professora Hellen.

 

Assessoria de Comunicação do MAG e Boi Bumbá Garantido 

Fotos: Arquivo pessoal